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AS 3 GRANDES FORÇAS DA PSICOLOGIA

Na sequência do último artigo que publiquei a propósito das actualizações éticas partilhadas pela IANLP e para cumprir a proposta de explorar um pouco mais a Psicologia Humanista, como o berço filosófico onde se posiciona a PNL, neste artigo irei explorar as três, designadas, grandes forças da psicologia.

Ainda antes de explorarmos um pouco a corrente comportamental, psicanalítica e humanista, julgo ser relevante irmos às origens da psicologia.

 

A palavra psicologia tem origem em duas expressões gregas: psiquê que significa “alma” ou actividade mental e logía que significa “estudo”, compondo assim a noção de “estudo da alma” que para os antigos filósofos gregos resultaria na observação dos comportamentos e experiências humanas, como produtos das manifestações da alma.


Visto a psicologia, como área de estudo específica, ser bastante mais recente do que este período da Grécia antiga, a sua própria definição sofre algumas variações de acordo com a experiência de diferentes autores. Apesar disso, encontramos uma definição mais comum que atribui à psicologia a disciplina do estudo da mente, onde se analisam três dimensões da actividade mental humana: a cognitiva, a afectiva e a comportamental.

 

COMO E QUANDO SURGIU A PSICOLOGIA?

Para podermos responder às questões de como e quando surgiu a psicologia, precisamos sempre posicionar o início da sua cronologia entre os anos 400 e 500 a.C., geograficamente na Antiga Grécia. Depois disso, temos vários séculos e alguns milénios de estudo e reflexão filosófica, e teológica sobre o Homem, para chegarmos ao final do século XIX e termos maiores avanços desta disciplina, enquanto área de conhecimento separada de outras.

 



 

O estudo da fisiologia teve também uma contribuição para o surgimento da psicologia como disciplina científica, pois com as primeiras pesquisas fisiológicas sobre o cérebro e o comportamento, o conhecimento da psicologia foi influenciado e, no limite, transformado para que se pudesse aplicar o método científico ao estudo do pensamento e do comportamento humanos.


Foi Wilhelm Wundt, fisiologista alemão que publicou, em 1873, o seu livro “Princípios de Psicologia Fisiológica”, quem contribui para estabelecer diversas conexões entre a ciência da fisiologia e os estudos sobre o pensamento e o comportamento humanos. Seis anos depois, em 1879, Wundt abriu na Alemanha, na Universidade de Leipzig, o primeiro laboratório de psicologia do mundo, atribuindo-se a este evento o início oficial da psicologia como disciplina científica separa e distinta. 1879 fica então marcado como o ano em que nasce a psicologia.

Pela mão de um dos alunos de Wundt, Edward B. Titchener, é fundada a primeira escola de pensamento da psicologia, adoptando uma linha de estudo designada por estruturalismo, com notável ênfase na investigação científica. Apesar de ter sido, igualmente, um importante marco na consolidação da psicologia enquanto disciplina científica, os seus conceitos estruturalistas desapareceram com a morte de Titchener em 1927.


A par destes desenvolvimentos na Europa, na América do Norte, mais especificamente nos EUA, a psicologia florescia, igualmente em meados do século XIX, com William James. A publicação do seu livro "Princípios da Psicologia”, deu a William James o estatuto de pai da psicologia americana, cuja escola de pensamento se tornou conhecida como funcionalismo.


Estas duas primeiras escolas de pensamento focavam as suas teorias e áreas de estudo na consciência humana, mas as suas concepções estruturalistas e funcionalistas eram, significativamente, distintas. Para os estruturalistas o conhecimento da consciência humana só era possível ser obtido através da observação e mensuração de acções visíveis, que procuravam decompor processos mentais nas suas partes mais pequenas, enquanto que o funcionalistas seguiam a ideia de que a consciência humana existe como um processo contínuo e mutável.

Assim, como o estruturalismo, o funcionalismo foi-se perdendo nos estudos da psicologia, deixando a sua influência nas teorias posteriores.

 



 

Além do conhecimento sobre o surgimento da psicologia, enquanto área de estudo específica, julgo ser igualmente relevante explorarmos um pouco (e apenas um pouco!) o que significa ser-se humano. A pergunta “o que significa ser humano?” é importante, visto que diferentes correntes da psicologia, são portadoras de distintas visões de Homem.

 

SER HUMANO SIGNIFICA O QUÊ?

Esta é a questão presente ao longo do tempo e em toda a parte. Encontramos possíveis respostas na filosofia, na teologia, na literatura, nas ciências, na arte e, apesar de tanto se ter escrito e postulado, continua a ser um questionamento cuja resposta se mantém em aberto.

Serão os seres humanos apenas animais, que precisam de treino para estruturar os seus comportamentos? Perspectiva que recebeu contributos de Charles R. Darwin, Ivan Pavlov, John B. Watson e B. F. Skinner.

Serão os seres humanos criaturas conscientes, cujas profundezas da mente precisam ser conhecidas e exploradas? Tal como postularam Sigmund Freud e Carl G. Jung.

Serão os seres humanos algo mais do que apenas corpo e mente, possuindo alma e desígnios próprios? Como nos deixaram as obras de Abraham Maslow e Carl Rogers.

Provavelmente, nenhuma das três perspectivas possui a resposta completa, pois cada uma reflecte uma dimensão essencial da existência humana, ser humano é corpo, mente e espírito, e possivelmente, encontrá-la-emos na conjugação de todas.

Se conjugadas, estas perspectivas oferecem-nos uma visão mais ampla e holística do que significa ser-se humano, onde se reconhece que este é dotado de um corpo físico, uma mente pensante e um senso de identidade crescente, que busca a transcendência.

Estas três dimensões inspiraram os principais movimentos da psicologia, conhecidos como três grandes forças, denominadas por Behaviorismo, Psicanálise e Psicologia Humanista.

Reconhecida a influência que cada um destes movimentos teve por si só, nenhum deles, sozinho, é capaz de dar uma resposta completa. Para que possamos ter uma visão mais completa do que significa ser humano, precisamos conhecer e compreender todas.

 

 

1ª Grande Força da Psicologia:

o BEHAVIORISMO


Posicionados na última década do séc. XIX e à medida que o estudo da psicologia se espalha pelos EUA, o seu crescimento é fortemente influenciado pelas teorias evolucionistas de Charles Darwin e pela filosofia do pragmatismo. Estas influências foram absorvidas por William James, pesquisador da Universidade John Hopkins e criador da teoria Funcionalista, que as partilhou nos seus volumes “Princípios de Psicologia”, cuja publicação construiu os fundamentos da psicologia norte-americana.

Para os funcionalistas norte-americanos, os estudos da biologia e do comportamento animal estavam no centro da sua investigação e para que a sua abordagem pudesse libertar-se do modelo dualista de mente-corpo, que dominou a psicologia até então, determinaram que nenhuma investigação poderia contemplar especulações sobre a intencionalidade do animal ou do humano sob observação. Pois as tentativas de interpretar a consciência impediriam a observação objectiva do objecto de estudo e obstariam a que a psicologia se tornasse uma ciência natural.

 

Na Rússia, Ivan Pavlov desenvolvia os seus estudos sobre a capacidade de se produzirem respostas comportamentais involuntárias, cuja compreensão não carecia de recurso a suposições subjectivas.

Ao treinar cães para que salivassem ao escutar uma campainha, demonstrou o mecanismo que ficou conhecido como condicionamento clássico. Este seu trabalho inspirou diversos psicólogos funcionais norte-americanos, entre eles, John B. Watson, que escreveu o manifesto "Psychology as the Behaviorist Views it". Neste artigo, Watson propunha que a psicologia se tornasse uma ciência preocupada apenas com o comportamento observável.

 

Watson não fazia distinção entre animais e humanos, enquadrando a psicologia como uma ciência fisiológica e mecanicista que lidava com fenómenos externos e observáveis, passíveis de serem medidos. Segundo o próprio, a compreensão da relação entre um estímulo e uma resposta, permitiria que a ciência previsse como os animais (incluindo humanos) se comportariam em situações semelhantes e com isso, tornar-se-ia possível, controlar comportamentos.

 

Assim, nesta fase, a corrente behaviorista apresentava-se crítica das teorias mentalistas e do introspeccionismo, que procuram fazer com que o indivíduo aceda, relate e se torne consciente dos seus estados internos. Considerando que o introspeccionismo procura informações que podem ser falaciosas, afastando a psicologia do seu verdadeiro objecto de estudo, que é o comportamento humano. Segundo esta corrente não há necessidade de se recorrer aos sentimentos ou aos estados mentais intermediários, para se compreender um comportamento. Tendo a psicologia como fim, considerar apenas os factos que podem ser objectivamente observados no comportamento de alguém, no contexto em que está inserido.

 

A proposta é então que os estudos se ocupem com o que pode ser directamente observado e mensurado, tal como o ambiente e o comportamento da pessoa, bem como as contingências ambientais e comportamentais anteriores e posteriores a uma acção.

Ou seja, apoia-se nos elementos com evidências sensoriais objectivas, isto é, sensorialmente detectáveis pelos órgãos dos sentidos, tais como som, temperatura, luminosidade, cheiros e texturas. Trata-se de tudo aquilo que na PNL usamos para calibrar e designamos por informação de alta qualidade, no sentido de ser passível de ser observada por diferentes indivíduos, sem sofrer a subjectividade da interpretação.

Significa isto, que um behaviorista não observa o “sofrimento” ou a “diversão” de alguém, mas sim a intensidade e a frequência do comportamento expressado, coisas como lágrima, grito, sorriso, mudança postural, diminuição ou aumento do volume da voz, onde também se incluem comportamentos involuntários, como mudanças no tom da pele, alteração do tamanho da pupila, salivação, sudorese e os comportamentos voluntários como beber um copo de água, acender a luz, sentar-se numa cadeira ou ligar a televisão.

 

No entanto, não houve unanimidade nesta visão, visto muitos se questionarem se este tipo de abordagem, seria adequada para explicar a psicologia humana e o debate permaneceu dentro do movimento.

Entre os questionadores esteve Edward Tolman, por considerar que quer animais, quer humanos eram muitas vezes imprevisíveis. Para enquadrar e explicar esta variabilidade, Tolman apresentou uma teoria alternativa, onde considerava as razões ou intenções de um comportamento realizado. Ao voltar a incluir a aprendizagem, a motivação e a cognição como variáveis determinantes dos comportamentos, no behaviorismo metodológico de Watson, voltou também a introduzir teorias mentalistas na equação. Tolman e outros neo-behavioristas ao interpretarem intenções por trás de um comportamento, voltaram a estar introspectivos.

 

B. F. Skinner por sua vez, voltou a retirar do behaviorismo questões não observáveis afirmando inclusivamente que “não se perde nada ao se desconsiderar uma ligação supostamente imaterial”, introduzindo o conceito de condicionamento operante e demonstrando o efeito do reforço e da punição no comportamento, explicando até mesmo os comportamentos humanos mais complexos, como a linguagem e a própria consciência, sem recorrer a elementos não mensuráveis.

Skinner é o grande nome do behaviorismo, pelo menos os mais conhecido, tendo sido o responsável por devolver à psicologia o lugar de ciência empírica e replicável. Contudo, ao fazer isso, reduziu os seus estudos a pouco mais do que treino de animais.

 

O natural desenvolvimento da corrente behaviorista fez com que se passassem a considerar também os comportamentos encobertos, que abrem espaço para o que não pode ser directamente observado por outrem, tal como, dizer que alguém está a pensar, a imaginar ou a sonhar. Deste desenvolvimento nasce a Terapia Cognitivo-Comportamental, que é tida hoje como uma linha da psicologia, fortemente, alicerçada na evidência científica.

 

 

2ª Grande Força da Psicologia:

a PSICANÁLISE


Apesar de a psique humana ter sido tema de interesse ao longo de toda a história da civilização humana, foi em Viena que Sigmund Freud começou a tratar os seus pacientes com sintomas misteriosos, que pareciam manifestar-se dentro das suas mentes.

Todos os fundamentos básicos da psicanálise se originaram em Freud, pelo que, se torna manifestamente relevante conhecermos a sua trajectória, bem como aqueles que contribuíram para o desenvolvimento das noções iniciais da sua ciência.

Freud formou-se em medicina em 1881, na Universidade de Viena, especializando-se em neurologia e psiquiatria, e foi no decorrer das suas práticas clínicas que se deparou com pacientes afectados por problemas nervosos, que lhe criaram diversos questionamentos, dadas as limitações apresentadas pelos tratamentos médicos convencionais.

Percebendo a necessidade de procurar outras abordagens, entre 1885 e 1886, Freud foi a Paris estagiar com o neurologista francês Jean-Martin Charcot, que parecia ser bem sucedido no tratamento de doenças mentais, como a histeria, recorrendo à hipnose.

De volta a Viena, começa a usar a sugestão hipnótica no tratamento de distúrbios nervosos, conduzindo uma investigação que pudesse estabelecer uma relação entre as conexões do paciente e o sintoma por este apresentado.

Não estando totalmente satisfeito com as técnicas hipnóticas, entre 1893 e 1896, Freud trabalha em conjunto com o médico Josef Breuer, prestigiado pelo uso de uma abordagem que permitia que o paciente reduzisse os sintomas de doença mental, apenas pedindo que os pacientes descrevessem as suas fantasias e alucinações. Foi com Breuer que Freud aprendeu o método catártico de cura pela fala.

Assim, inspirado pela prática do mesmerismo, ou hipnose e o discurso livre, Freud percebeu que seria possível aceder aos pensamentos ocultos de um paciente e, até mesmo, modificar a forma como este responderia mais tarde. Desta conjugação, nasceu o seu próprio método de analisar o reino oculto da mente, ao qual deu o nome de Psicanálise.

 

A sua contribuição mais significativa e duradoura é o seu modelo de mente que comtempla a existência de uma mente inconsciente. Caso tenha interesse em conhecer este modelo de Freud, leia o artigo Camadas da Mente e Instâncias Psíquicas (link).

Talvez o aspecto mais conhecido e discutido da obra de Freud, seja a sua teoria sobre a líbido, cuja conceituação a concebe como uma manifestação psicológica do instinto sexual. Desta forma, por exemplo, a histeria pôde ser explicada como resultante do impedimento da energia sexual de expandir-se através dos seus mecanismos naturais, ficando restringida e contida, produzindo com isso, não só este sintoma, como outros.

Para Freud as neuroses como a histeria, a neurose obsessiva, a neurastenia e as fobias, teriam a sua causa numa restrição da energia psíquica, resultante da contenção da quantidade de líbido.

Este foco psicossexual tornou-se o centro do debate da escola psicanalítica, o que fez com que outros psicanalistas como Carl G. Jung, Alfred Adler, Karen Horney e Anna Freud (a sua filha), se desviassem das suas teorias e explorassem respostas alternativas para o conflito psicodinâmico. Nos seus sucessores, encontramos outras explicações para as necessidades da psique humana, tais como o amor, a aceitação e o poder.


Apesar da sua ampla divulgação e da incontornabilidade do trabalho de Freud, as práticas da psicanálise têm sido confrontadas pela comunidade científica e acusadas de falta de evidências empíricas da existência de uma mente inconsciente e os métodos adequados ao seu acesso.

 

Além de Freud, podemos reconhecer a influência de nomes como Jacques Lacan, que propôs um retorno sistemático à obra de Freud, relacionando-a com os conhecimentos da antropologia e da linguística, além de ter desenvolvido conceitos como Real, Simbólico e Imaginário.

Melanie Klein, da chamada “escola inglesa de psicanálise”, foi a primeira psicanalista a trabalhar com crianças, desenvolvendo teorias complementares sobre os fenómenos associados à vida psíquica primitiva.

Donald W. Winnicott, tornou-se conhecido pelas suas ideias de verdadeiro e falso self, tendo sido líder da Sociedade Britânica de Psicanálise Independente e Presidente da Sociedade Britânica de Psicanálise.

 

No seu desenvolvimento, maioritariamente, no século XX, a psicanálise manteve o seu diálogo e proximidade com a psicologia clínica, apesar de presentemente, se ter alargado e encontrarmos estudos sobre os aspectos dinâmicos da sociedade, da economia, da política e do pensamento. O que faz com que hoje tenhamos psicanalistas que não são psicólogos, possuidores de formação de base em filosofia, sociologia, medicina, letras e outro tipo de áreas de conhecimento.

 

 

3ª Grande Força da Psicologia:

a PSICOLOGIA HUMANISTA


1960 marca a década em que a área de conhecimentos abarcados pela psicologia, volta a ser examinada, pois as mudanças culturais da época não encontravam respostas adequadas nem na psicanálise, nem no behaviorismo.

Apesar dos anteriores movimentos terem produzido muito conhecimento, o seu foco excessivo na doença mental, deixou de fora uma série de outros elementos da condição humana.

Alguns psicólogos como Abraham Maslow, procuraram ampliar o foco da psicologia, direccionando as suas pesquisas para os indivíduos que se encontravam bem, estavam saudáveis e progrediam.

Foi a Hierarquia das Necessidades (link) de Maslow que apresentou a descrição de um caminho entre o funcionamento básico do ser humano, até ao seu desempenho máximo, a auto-realização. A sua teoria tornou-se a chave do terceiro movimento e que deu origem à Psicologia Humanista, Transpessoal e Existencial.

 

Foi na Conferência Old Saybrook, que ocorreu em 1964 no Connecticut, que diversos teóricos avançaram com a definição de um novo paradigma na psicologia, onde se reconhecia que os seres humanos são possuidores de consciência e têm a capacidade de estar subjectivamente cientes de si e dos outros, descrevendo-os como os únicos capazes de ultrapassar o mero funcionamento mecânico dos seus corpos e mentes.

Esta conferência contou com três importantes oradores, um deles Carl Rogers, que desafiou os princípios subjacentes ao behaviorismo. Rollo May, que discorreu sobre o conceito de intencionalidade e como este se apresenta no centro da vontade humana e Maslow, que apresentou a sua teoria sobre a experiência transcendente e o potencial de actualização dos humanos.

As ideias aqui apresentadas contrariaram a visão determinística de Homem, tanto na linha behaviorista com a sua questão dos condicionamentos comportamentais, como na linha psicanalítica, pelo determinismo do inconsciente.

O surgimento da psicologia humanista resulta da valorização da experiência consciente, abraçando a natureza subjectiva e individualista dos indivíduos, apoiando-se em conceitos como o livre-arbítrio, a auto-realização, a criatividade, a esperança, o potencial, o sentido, a tomada de decisão, a congruência, a responsabilidade, entre tantos outros...

 

Na base da sua ciência sobre a experiência subjectiva dos seres humanos, a corrente humanista-transpessoal-existencial inspirou-se na ideias de dois filósofos alemães, Edmund Husserl e Martin Heidegger. No trabalho destes dois autores encontramos teorias ontológicas e epistemológicas sobre a natureza do ser, como um processo de desdobramento da existência corporificada. Incorporando também uma visão de Homem e de mundo manifesta nos movimentos intelectuais do humanismo, do existencialismo e da fenomenologia.

A partir desta perspectiva, a investigação humanista torna-se mais qualitativa e menos empirista, onde se procura compreender como o contexto e os sistemas presentes no ambiente de um indivíduo, influenciam o seu auto-conceito.

Assim, a terceira força da psicologia, destaca-se pela ênfase na experiência consciente, pela observação da relação sistémica entre a natureza do ser humano e a sua conduta, com foco no livre-arbítrio e no poder de criação do indivíduo. Dentro dela, iremos encontrar diversas abordagens como a Terapia Gestalt (não confundir com Psicologia da Gestalt), a Abordagem Centrada na Pessoa e a Logoterapia.

 

No movimento desta terceira força, podemos destacar alguns autores relevantes, entre eles, o já referido Abraham Maslow, considerado o seu fundador e o primeiro a ter usado o termo “psicologia positiva”, como contraposição à designada “psicologia negativa” focada no transtorno e na doença.

Carl Rogers, pai da Abordagem Centrada na Pessoa, também ele considerado fundador desta escola de pensamento, com um trabalho fortemente apoiado na noção de livre-arbítrio e na auto-determinação dos indivíduos.

Fritz Perls, ex-psicanalista e pai da Terapia Gestalt, contribui para a visão holística do indivíduo, para o papel do terapeuta na identificação de incongruências e na importância de cada indivíduo experienciar e usufruir do presente.

Viktor Frankl, neuropsiquiatra e fundador da terceira escola vienense de psicoterapia, pai da Logoterapia e da Análise Existencial, que desenvolveu um importante trabalho na abordagem existencialista relacionada à temática do “sentido da vida”.

 

De acordo com as informações que pude partilhar no artigo anterior, as associações que hoje asseguram a qualidade das formações certificadas de Programação Neurolinguística, apontam para que a PNL, criada na década de 1970, tenha o seu berço nesta terceira força. Para que possamos ter um melhor enquadramento das raízes desta disciplina que se apresenta como “arte da excelência humana”, irei em artigos futuros explorar, mais profundamente, não só a Psicologia Humanista, mas também a Escola de Palo Alto, pois esta última é igualmente importante para o surgimento da PNL.

Por agora, proponho que nos mantenhamos dentro dos desenvolvimentos na psicologia e as suas respectivas ramificações.


 

CRONOLOGIA DE EVENTOS

A psicologia, tem vivido diversos eventos importantes aos longo destes últimos 150 anos e está marcada por momentos que contribuíram para a sua evolução e desenvolvimento.

 

  • 1869: Sir Francis Galton define as técnicas estatísticas para um melhor entendimento da relação entre variáveis como a inteligência e a personalidade, nos seus estudos sobre hereditariedade.

  • 1878: G. Stanley Hall torna-se o primeiro norte-americano a obter um Ph.D. de psicologia;

  • 1879: Wilhelm Wundt abre o primeiro laboratório de psicologia experimental, dedicado ao estudo da mente em Leipzig, na Alemanha;

  • 1883: G. Stanley Hall abre o primeiro laboratório de psicologia experimental, na Universidade Johns Hopkins, nos EUA;

  • 1885: Herman Ebbinghaus, aluno de Wilhelm Wundt, publica "Na Memória", uma obra na qual descreve experimentos de aprendizagem e memória realizados em si mesmo;

  • 1886: Sigmund Freud começa a usar a fala, enquanto processo terapêutico para os seus pacientes de psicanalise em Viena, Áustria;

  • 1888: James McKeen Cattell torna-se o primeiro professor de psicologia nos EUA, mais especificamente, na Universidade da Pensilvânia;

  • 1890: William James publica "Princípios da Psicologia", um dos textos mais influentes no campo da psicologia. James McKeen Cattell publica "Testes e Medidas Mentais", marcando o advento da avaliação psicológica;

  • 1892: G. Stanley Hall forma a Associação Americana de Psicologia, com a presença de 26 membros na primeira reunião;

  • 1896: Lightner Witmer abre a primeira clínica de psicologia nos EUA e estabelece as directrizes para a formação de futuros psicólogos clínicos;

  • 1898: Edward Thorndike desenvolve a Lei do Efeito, onde explica como o comportamento é aprendido;

  • 1900: Sigmund Freud publica o seu livro "Interpretação dos Sonhos";

  • 1901: Nasce a Sociedade Britânica de Psicologia;

  • 1905: Mary Whiton Calkins é eleita presidente da Associação Americana de Psicologia. Alfred Binet apresenta o teste de inteligência;

  • 1906: Ivan Pavlov publica as suas descobertas sobre o condicionamento clássico. Carl Jung publica "A Psicologia da Demência";

  • 1911: Edward Thorndike publica "Inteligência Animal", que leva ao desenvolvimento da teoria do condicionamento operante;

  • 1912: Max Wertheimer publica "Estudos Experimentais da Percepção do Movimento", que leva ao desenvolvimento da psicologia da Gestalt;

  • 1913: Carl Jung inicia o seu afastamento das visões freudianas e desenvolve as suas próprias teorias, a que deu o nome de psicologia analítica. John B. Watson publica o artigo "Psychology As the Behaviorist View It", no qual estabelece o conceito de behaviorismo;

  • 1915: Sigmund Freud publica os seus trabalhos sobre repressão;

  • 1920: John B. Watson e Rosalie Rayner publicam pesquisas sobre o condicionamento clássico do medo e os resultados da sua experiência com o Little Albert;

  • 1932: Jean Piaget torna-se o principal teórico do desenvolvimento cognitivo com a publicação de sua obra "O Julgamento Moral da Criança";

  • 1935: B. F. Skinner aprofunda a teoria do condicionamento operante, desenvolvendo diferentes cronogramas de reforço que influenciam a aquisição e a extinção de comportamentos;

  • 1942: Carl Rogers desenvolve a prática da Terapia Centrada na Pessoa, que incentiva o respeito e a consideração positiva pelos pacientes;

  • 1952: O primeiro "Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais" é publicado;

  • 1954: Abraham Maslow publica "Motivação e Personalidade", descrevendo a sua teoria da hierarquia de necessidades;

  • 1958: Harry Harlow publica "A Natureza do Amor", onde descreve a importância do apego e do amor nos macacos;

  • 1961: Albert Bandura conduz a sua experiência com o boneco Bobo, onde o comportamento infantil é descrito como uma construção resultante da observação, imitação e modelagem;

  • 1963: Albert Bandura apresenta o conceito de aprendizagem observacional para explicar a agressão;

  • 1967: Ulrich Neisser introduz o termo psicologia cognitiva. Albert Ellis e Aaron Beck estabelecem uma nova forma de terapia, conhecida como terapia cognitiva, que abriria caminho para a terapia cognitivo-comportamental;

  • 1974: Stanley Milgram publica "Obediência à Autoridade", onde descreve as suas descobertas com as famosas experiências de obediência;

  • 1990: Noam Chomsky publica "Natureza, Uso e Aquisição da Linguagem";

  • 1991: Steven Pinker publica um artigo onde apresenta as suas teorias sobre como as crianças adquirem a linguagem, que mais tarde publica no livro "The Language Instinct";

  • 2002: Steven Pinker publica "The Blank Slate", argumentando contra o conceito de tabula rasa. Avshalom Caspi oferece a primeira evidência de que a genética está associada à resposta de uma criança aos maus-tratos. Daniel Kahneman recebe o Prémio Nobel de Economia pela sua pesquisa sobre como as pessoas fazem julgamentos diante da incerteza;

  • 2003: Pesquisadores da genética concluem o mapeamento dos genes humanos, com o objectivo de isolar os cromossomas responsáveis pelas condições fisiológicas e neurológicas;

  • 2014: John O'Keefe, May-Britt Moser e Edvard Moser dividem o Prémio Nobel de Medicina, pela descoberta das células que constituem um sistema cerebral que é a chave para a memória e a navegação.


 

~ por Joana Sobreiro




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