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MOTIVAÇÃO

Nos últimos artigos tenho-me dedicado a explorar temas em torno da inteligência emocional. Já escrevi sobre alguns modelos que definem esta inteligência e, nos seguintes, tenho vindo a aprofundar os elementos que a compõem.

Segundo o modelo de Daniel Goleman, o terceiro elemento da inteligência emocional é a auto-motivação intrínseca. Antes de a irmos explorar, quero começar por fazer um enquadramento sobre o que é a motivação.


Certamente já viveu momentos de enorme excitação, momentos em que se sentia com a força anímica para mover o mundo e, nestes momentos, sentir-se e manter-se motivado foi fácil. Igualmente provável, é já ter vivido outros em que se sentiu preso, acorrentado e estagnado, numa espiral infinita de procrastinação. Pois bem, toca-nos a todos! Daí ser relevante podermos ter uma melhor noção do que é a motivação, os factores que a influenciam e como mantê-la sob o nosso controlo.


Fazendo uma pesquisa rápida no Google: “A palavra motivação deriva do latim motivus, movere que significa mover. No seu sentido original, a palavra indica o processo pelo qual o comportamento humano é incentivado, estimulado ou energizado por algum tipo de motivo ou razão”.

Como podemos verificar, o termo “motivação” responde à pergunta – porquê? Porque alguém faz o que faz. É, por isso, considerada a força motriz por trás das acções de cada indivíduo. É a motivação que inicia, orienta e dirige os nossos comportamentos.

Quando colocamos a motivação como o “motor” do comportamento humano, incluímos forças biológicas, emocionais, sociais e cognitivas que o activam e promovem.


Tendo então como premissa que motivação é a força orientadora de todo o comportamento humano, compreender o seu funcionamento e os factores que a influenciam poderá ser de grande utilidade para:

  • Aumentar a sua eficiência enquanto age na direcção dos seus objectivos;

  • Estimular a que aja com um senso de maior controlo sobre a sua vida;

  • Evitar comportamentos nocivos e desadaptados.


Pense em alguns dos objectivos que já definiu para si, quer aqueles que atingiu, quer os outros que foram abandonados pelo caminho ou, até mesmo, os seus objectivos actuais. Acredito que tenha consciência que, simplesmente, desejar realizar algo ou atingir um determinado resultado, não é suficiente. O desejo per se não é factor suficientemente forte para que um objectivo seja atingido. Acresce ainda a noção de que mesmo que o desejo produza um primeiro impulso, ao longo do tempo e perante dificuldades e obstáculos, precisamos de mais para que a nossa motivação se mantenha.


De acordo com as teorias da motivação, para que a motivação se mantenha, precisamos considerar diferentes elementos. São eles:

  • Activação – este primeiro componente descreve a decisão de iniciar um comportamento, é a origem do movimento. Um exemplo disto, é inscrever-se num curso cujos conhecimentos lhe trarão benefícios pessoais ou profissionais;

  • Persistência – refere-se à capacidade de empreender um esforço contínuo na direcção de uma estado desejado, mesmo que encontre obstáculos. Um exemplo de persistência seria o de estar presente nas aulas do curso, mesmo sentindo cansaço e vontade de se atirar para o sofá e dormir;

  • Intensidade – trata-se da capacidade de manter a concentração e o vigor necessários para chegar ao estado desejado. Usando ainda o mesmo curso como exemplo, poderá frequentá-lo com um esforço mínimo estando apenas de corpo presente, ou com maior intensidade, participando e envolvendo-se nas actividades.

A relevância de conhecermos estes três componentes é a de termos consciência de que o grau de mobilização de cada um destes elementos irá afectar o desempenho, o atingimento de um objectivo e a realização de um resultados desejado.

Uma forte activação aumenta a probabilidade de começar a agir e um grau elevado de persistência e intensidade, asseguram que continuará a agir até que alcance o resultado.



TEORIAS DA MOTIVAÇÃO


Nestes 150 anos de história da psicologia moderna, diversas teorias foram surgindo com vista a melhor compreender e poder explicar o que motiva o comportamento humano. Farei uma apresentação breve de algumas dessas teorias, para posteriormente, explorarmos perspectivas mais complexas e completas.


INSTINTOS – A TEORIA INSTINTIVA DA MOTIVAÇÃO

Nesta teoria a grande questão a ser respondida é se o que motiva o nosso comportamento é algo com que nascemos, ou é algo que se desenvolve à medida que amadurecemos e vamos acumulando experiências.

Esta visão sobre a motivação sugere que os comportamentos dos seres humanos são motivados por padrões fixos e inactos, que se manifestam instintivamente. Quer isto dizer, que o comportamento humano assenta em impulsos básicos e tendências biológicas inactas importantes para a sobrevivência de um organismo.


Assim sendo, importa esclarecer o que é, exactamente, o instinto. Poderemos definir instintos como padrões de comportamento inactos e direccionados a objectivos, que não resultam de aprendizagem e experiência.


William McDougall foi um dos primeiros psicólogos, que logo no início do século XX, teorizou sobre os instintos e a motivação, sugerindo que o comportamento instintivo é composto por três elementos essenciais – percepção, acção e emoção.

Freud usou uma visão ampla da motivação, sugerindo que o comportamento humano é impelido por duas forças – o impulso de vida e o impulso de morte.

Já o psicólogo William James, identificou uma série de instintos, que segundo o próprio, seriam essenciais para a sobrevivência, como o medo, a raiva, o amor, a vergonha e a higiene.


Este conjunto de teorias encontra semelhanças por estas se basearem em forças biológicas inactas, onde comportamentos são empreendidos por questões de sobrevivência.

De acordo com David G. Meyers no seu livro Exploring Psychology, identificamos um comportamento instintivo quando este possui um padrão fixo em toda a espécie. Ou seja, um comportamento dá-se de forma natural e automática em todos os organismos da mesma espécie.


Embora as teorias da motivação pelos instintos possam ser usadas para explicar alguns comportamentos, elas apresentam algumas limitações, pois não são capazes de explicar todos os comportamentos, bem como compreender porque um indivíduo tem um comportamento numa determinada situação, mas noutra, não o manifesta.

Havendo críticas quanto às limitações destas teorias, é inegável que indivíduos da mesma espécie apresentam tendências comportamentais biologicamente programadas.


NECESSIDADES – A TEORIA FISIOLÓGICA DA MOTIVAÇÃO

Nesta teoria a atenção deposita-se na percepção de que muitos comportamentos, como comer, beber e dormir, são motivados pela própria biologia. Somos movidos por necessidades fisiológicas de comida, água e sono, logo procuramos satisfazer estas necessidades comendo, bebendo e dormindo.


A Teoria da Redução do Impulso criada pelo behaviorista da Universidade de Yale, Clark Hull e posteriormente desenvolvida por Kenneth Spence, popularizou-se nas décadas de 1940 e 1950, pela forma como procurou explicar o comportamento, a aprendizagem e a motivação. De acordo com esta teoria, a redução de unidades é a principal força por trás da motivação.

Na busca por criar uma grande teoria que explicasse o comportamento, Hull baseou-se nas ideias de vários outros pensadores como Charles Darwin, Ivan Pavlov, John B. Watson e Edward L. Thorndike, fundamentando a sua teoria no conceito de homeostase – na premissa de que o corpo trabalha para manter um determinado estado de equilíbrio. Por exemplo, o nosso corpo regula a temperatura para garantir que não ficamos nem muito quentes, nem muito frios.

À semelhança da regulação da temperatura do corpo, Hull acreditava que o comportamento seria uma das formas pelas quais um organismo se equilibra. Postulando assim, que toda a motivação surge como resultado de necessidades biológicas e fisiológicas. Coisas como sede, fome e necessidade de calor formam, cada uma delas, uma unidade a ser satisfeita e ao criarem um estado desagradável no corpo, a tensão aí gerada carece de ser reduzida. Para reduzir essa tensão, humanos e animais procuram maneiras de satisfazer essas necessidades fisiológicas e irão repetir qualquer comportamento que reduza estes impulsos.

Embora esta tenha sido uma teoria dominante na psicologia durante algum tempo, hoje encontra-se amplamente afastada. Apesar disso, é relevante sabermos o que defendeu e como contribuiu para as teorias surgidas posteriormente.


Outra importante teoria da motivação baseada no desejo de satisfazer necessidades fisiológicas é A Hierarquia das Necessidades de Abraham Maslow. Serei breve na apresentação desta, pois irei dedicar-lhe, no futuro, um artigo completo.

Esta teoria de Maslow é, provavelmente, uma das mais conhecidas teorias da motivação, defendendo que o comportamento humano é provocado por necessidades fisiológicas e psicológicas que evoluem do básico para o complexo. Uma vez atendidas as necessidades básicas, outras mais complexas surgem como a necessidade de segurança e protecção, necessidades sociais, de estima e de auto-realização.


EXCITAÇÃO – A TEORIA DO NÍVEL DE EXCITAÇÃO

Esta teoria foi proposta pela primeira vez por Henry Murray em 1938 e sugere que o comportamento humano resulta da manutenção ideal do nível individual de excitação fisiológica. Quer isto dizer que um indivíduo com baixa necessidade de excitação procurará fazer algo relaxante, enquanto que aquele com uma alta necessidade de excitação irá adoptar comportamentos estimulantes.

Importa ter em conta, que segundo esta teoria o nível de excitação ideal é subjectivo, individual e relativo a cada indivíduo, tendo cada pessoa um nível de excitação único e adequado para si. Uma das suas principais suposições é que os indivíduos agirão no sentido de manter um equilíbrio ideal.

Sabendo que a excitação poderá ser mental (cognitiva), emocional (afectiva) ou física (biológica e fisiológica), quando os níveis individuais ideais de excitação diminuem, os indivíduos irão procurar um tipo de actividade que volte a colocar os seus níveis dentro de um intervalo adequado para si.


LEI DA FÍSICA – A TEORIA DO “FAZ PRIMEIRO”

Ainda dentro das teorias da motivação, alguns autores defendem a ideia de que tudo o que tem sido escrito e investigado sobre motivação, sofre de alguns equívocos. Segundo esta linha de pensamento, uma das coisas mais surpreendentes sobre a motivação é que esta surge, muitas vezes, depois de se iniciar um novo comportamento e não antes. Sendo a motivação o resultados da acção e não a sua causadora.

No fundo, esta é uma visão da física newtonia aplicada à motivação, pois apoia-se na Primeira Lei de Newton que diz que os “objectos em movimento, tendem a permanecer em movimento”. Desta forma, uma vez que a tarefa é iniciada, será mais fácil mantê-la. Considerando que quase todo o atrito está no início, depois de se começar algo, o progresso ocorrerá de forma mais natural e facilitada. Nesta perspectiva o segredo da motivação encontra-se em facilitar o início.

Confesso que tenho enormes dúvidas e muitas questões relativas a esta visão “física” da motivação, de qualquer forma, acredito que há utilidade em conhecê-la.



A CIÊNCIA MOTIVACIONAL


Falarmos do cérebro humano, leva-nos muitas vezes a concentrar a nossa atenção nas suas funções cognitivas e intelectuais, esquecendo-nos que este é também emocional. Gera desejos, apetites, ímpetos, necessidades, recompensas, ânsias, prazer, medo, ansiedade, raiva, mágoa e toda uma gama de emoções e sentimentos, da mesma maneira que é capaz de pensar, discernir, avaliar, planear, aprender e resolver problemas.

A neurociência da motivação debruça-se sobre o estudo e compreensão de como o nosso ambiente e experiências activam estruturas cerebrais específicas que, por sua vez, estão associadas aos estados motivacionais que impelem, energizam, dirigem e sustentam o comportamento.


Para compreender a estrutura do cérebro motivado, precisamos de separar as suas funções de forma a melhor compreender os fenómenos corticais e os fenómenos subcorticais.

Motivações impelidas pela fome, sede, raiva, medo, ansiedade, prazer, desejo e recompensa, estão associadas ao cérebro subcortical, sendo em grande parte, inconscientes, automáticas e impulsivas.

Já a região cortical do cérebro, hospeda motivações cognitivamente ricas, conscientes, intencionais e deliberadas, controladas pelo seu centro executivo. Estes factores conscientes, fruto da cognição incluem metas e objectivos, planos, estratégias, valores e crenças sobre o eu, sobre os outros e sobre o mundo.



TIPOS DE MOTIVAÇÃO


Apoiando-nos neste conjunto de teorias sobre a motivação, que tive oportunidade de lhe apresentar anteriormente, vamos criar aqui um ponto de apoio para a compreensão dos próximos elementos sobre a nossa motivação.

Quando o sistema nervoso simpático produz epinefrina e norepinefrina, o corpo tem disponível energia para agir. É por esta razão, que a motivação é muitas vezes definida em termos de impulsos. Pois os nossos corpos tenderão a procurar voltar ao equilíbrio, tendo um estado final que responda à necessidade e elimine o impulso.

As necessidades são motivos internos que impulsionam, dirigem e sustentam o comportamento, gerando os esforços necessários para a manutenção da vida, do bem estar e do crescimento.

Necessidades fisiológicas como fome, sede, sexo e abrigo, são os primórdios biológicos que se manifestam como impulsos psicológicos. Tornando assim, uma necessidade fisiológica num impulso psicológico.

Esta informação é relevante, pois é importante que saibamos distinguir uma necessidade fisiológica da pulsão psicológica que ela cria, pois só o impulso psicológico tem propriedades motivacionais.


Por tudo o que já pode ler até agora, provavelmente já percebeu que a motivação tem tantas faces, quanto as necessidades, as vontades e os desejos humanos.

Segundo os estudos de Johnmarshall Reeve, necessidades de autonomia, domínio e pertencimento direccionam o nosso comportamento, da mesma forma que as necessidades biológicas e fisiológicas. Assim como as necessidades de poder, realização, significado e auto-estima, são igualmente fonte de motivação. Significa isto, que as necessidades psicológicas (cognitivas e emocionais) representam, também elas, fortes motivos para agir.

Por outras palavras, motivos são experiências internas que se apresentam sob a forma de necessidades, cognições e emoções, que promovem de forma directa a acção motivada. Alguns desse motivos poderão ser biológicos e fisiológicos, enquanto outros terão origens pessoais e sociais. Somos impelidos a procurar alimento, água, abrigo e sexo, mas somos igualmente movidos pela aprovação social, aceitação, necessidade de realização e crescimento.


O desenvolvimento das teorias da motivação, têm-na colocado em níveis de muito maior complexidade do que apenas a satisfação instintiva de impulsos, de necessidades fisiológicas ou de graus de excitação. Incluindo um conjunto muito mais alargado de factores, de muito maior amplitude e implicação do que a mera ideia de “primeiro faz e depois motivaste”.

Convido-o então, a aprofundarmo-nos um pouco mais, nesta teia de informação.


Para melhor compreender a estrutura da motivação, esta é frequentemente descrita de duas formas:

  • Motivação extrínseca – este tipo de motivação é oriunda de fora do indivíduo e, habitualmente, pressupõe recompensas externas como prémios, dinheiro, elogios, reconhecimento social e/ou de pares;

  • e a Motivação intrínseca – já este tipo de motivação é interna e origina-se dentro do indivíduo, onde este encontra gratificação no seu interior.


Independentemente de podermos motivar-nos intrínseca ou extrinsecamente, podemos afirmar que a motivação é um processo interno. Seja por impulso ou necessidade, a motivação é uma condição interna ao indivíduo que deseja uma mudança, seja a mudança do eu ou do ambiente.

Voltando à definição inicial, de que a motivação é a força motriz do comportamento humano, referimo-nos a um reservatório de energia que permite que cada indivíduo se envolva com o seu meio de forma adaptativa, aberta e apta à mudança.

Estarmos motivados, significa que estamos em movimento e acção, cujos comportamentos têm energia, persistência, intensidade e direcção.


A origem interna da nossa motivação, deriva de necessidades fisiológicas, cognições e emoções, podendo ser, muitas vezes, experimentada como mais imediata, potente e premente do que quaisquer outros factores extrínsecos. Apesar disso, como não somos ilhas, nem existimos no vácuo, as experiências internas sofrem sempre algum grau de influência externa, seja na forma de consequências, incentivos e recompensas, ou qualquer outra forma decorrente das nossas interacções sociais e do ambiente em que estamos inseridos.

Sendo uma relação sinérgica derivada de motivos intrínsecos e influencias extrínsecas, é importante estarmos cientes de que necessidades fisiológicas e psicológicas impulsionam o comportamento, a cognição direcciona-o e a emoção determina sua intensidade e energia.


Mas o que é isto das necessidades? Saiba que, qualquer necessidade a que me refiro neste artigo, resulta de uma carência ou deficit de algo, ou pela necessidade de crescimento. Ou seja, nasce para colmatar uma ausência ou para acrescentar ao que já existe.

A necessidade torna-se então um motivo e a motivação, por sua vez, resulta de um processo dinâmico que inclui diversos motivos, que variam e mudam ao longo do tempo, quer estejamos a falar da natureza do motivo ou da sua importância. Quer isto dizer, e para complicar um pouco mais esta teia de necessidades, motivos, impulsos e movimentos, motivamo-nos por uma infinidade de necessidades diferentes ao longo do ciclo da nossa vida.

Perante uma circunstância específica ou um período de tempo, teremos motivos mais fortes a dominar a nossa atenção, fazendo com que outros percam importância e permaneçam, relativamente, adormecidos. Significa isto, que temos uma hierarquia pela qual os nossos motivos se organizam, cuja ordem hierárquica varia de acordo com as dinâmicas que estamos a viver e longitudinalmente no tempo. Um motivo no topo da hierarquia, representa uma posição mais forte, com maior necessidade de satisfação e com mais influência no comportamento, à medida que as circunstâncias mudam, motivos que antes se encontravam abaixo na hierarquia, podem tornar-se dominantes.



MOTIVAÇÃO E EMOÇÃO


Há uma relação inseparável entre motivação e emoção. Comecemos por relembrar a etimologia dos termos – ambos derivam da mesma raiz do latim movere, que significa mover. Sendo a motivação a tradução do movimento, a própria acção e a emoção, o estabelecer contacto entre o algo interno que quer expressar-se e mover-se de dentro para fora.

É por esta razão, que as emoções são consideradas estados motivacionais, pois ambas, motivação e emoção, fazem parte de um fenómeno psicológico central conhecido como afecto. São as emoções que geram a energia, dominam a nossa atenção e causam as reacções aos eventos e experiência que vivemos, em cada momento, nas nossas vidas.


Segundo o trabalho de Dacher Keltner e James Gross, são as emoções que geram o impulso para enfrentar e lidar com as circunstâncias da vida que, a cada momento, se nos apresentam. Ao vivenciarmos um determinado acontecimento, essa experiência é sentida tanto fisiológica como emocionalmente e ambas orientam o nosso comportamento e tomada de decisão.




MOTIVAÇÃO E PERSONALIDADE


Pesquisas sobre personalidade e motivação, têm demonstrado que existem diferenças na forma como cada indivíduo se motiva de acordo com as suas características individuais e traços e personalidade.

Com recurso ao modelo Big Five, inicialmente criado por Ernest Tupes e Raymond Christal em 1958, e desenvolvido após a década de 1990 por J.M. Digman e Lewis Goldberg, podemos identificar que as 5 dimensões básicas e primárias da personalidade – extroversão, amabilidade, abertura, consciência e neuroticismo – demonstram que seremos motivados por diferentes incentivos, objectivos e actividades de acordo com o grau de cada um destes componentes.


Lambert Deckers, professor emérito de ciências psicológicas da Ball State University no estado do Indiana, identificou nos seus estudos que os indivíduos ao exibirem características em uma das extremidades de cada uma das cinco dimensões da personalidade, procurarão, criarão e modificarão determinadas situações de forma distinta daqueles que exibem características da extremidade oposta.

Por exemplo, indivíduos com um alto grau de extroversão demonstram ter maior sensibilidade a recompensas externas, em detrimento daqueles que apresentam um baixo grau de extroversão, já posicionados no lado da introversão. Ao reagirem com maior excitação energética em resposta à busca por recompensas estarão mais propensos à procura de estímulo social que os introvertidos.


Ainda segundo os estudos de Deckers:

  • Os extrovertidos apresentam maior predisposição para carreiras de alto impacto com vista a satisfazer os seus motivos/necessidades de poder, bem como serão mais propensos a fazer trabalho voluntário para satisfazer a sua necessidade de afiliação;

  • A amabilidade em níveis elevados, leva a uma maior tendência para ajudar outras pessoas, nomeadamente amigos e familiares em perigo;

  • Indivíduos com um alto nível de amabilidade relacionam-se com menos stress, por serem mais cooperantes;

  • Indivíduos com alta abertura, tendem a procurar mais contacto com pessoas diferentes de si e demonstram menos preconceito do que indivíduos com alta amabilidade;

  • Aqueles cujo nível de consciência é alto, têm maior probabilidade de ter notas mais altas e estão mais predispostos a agir com vista a melhorar a sua saúde;

  • Uma consciência elevada propicia a vivência de menos eventos stressantes pela predisposição para o planeamento;

  • Indivíduos com alto nível de neuroticismo, mais facilmente ficarão de mau humor, sentir-se-ão menos satisfeitos com o seu trabalho, carreira e relacionamentos, do que aqueles que apresentam um baixo grau deste espectro;

  • Um alto grau de neuroticismo indica a experiência de mais stress interpessoal;

  • A felicidade é mais facilmente associada a altos níveis de extroversão e amabilidade e baixos níveis de neuroticismo;

  • Indivíduos com consciência, extroversão e abertura elevadas lidam mais facilmente com factores de stress;

Relativamente ao tipo de motivação – intrínseca ou extrínseca – os traços de personalidade marcados pela consciência, abertura e extroversão, estão positivamente associados à motivação intrínseca. Já a motivação extrínseca apresenta uma relação positiva com a consciência, extroversão e neuroticismo.



Aqui chegados, neste já longo artigo, quero fazer algumas considerações finais.

Acredito que pode perceber, que o tema motivação é complexo e, sobretudo, ficou claro que quando falamos de motivos e procuramos responder à pergunta – porque alguém faz o que faz? – um tamanho não nos serve a todos.

Quando falamos em motivarmo-nos ou motivar outras pessoas, compreender as características e história pessoal de cada um é determinante para a criação e desenvolvimento de um senso individual de bem-estar e alinhamento, realização de objectivos, adequação de comportamentos e produção de resultados desejados.

Não são raras as vezes em que indivíduos e empresas procuram por palestras e eventos motivacionais, convictos de que dizer umas coisas impactantes e colocar pessoas aos saltos, são a solução para que cada uma saia dali pronto para mudar o mundo, com as suas necessidades satisfeitas, nos píncaros da realização e na posse do troféu do sucesso – o mais provável é que tudo isso desapareça na semana seguinte.

Após conhecermos todo este conjunto de teorias, abordagens e leituras dos motivos humanos (e aqui apresentei-lhe uma pequena parte), não parece assim tão simples encontrar a motivação para fazer “isto” que é tão importante para nós.

Conhecermos o que, de facto, é para nós importante e identificar se o que é importante compete com outras importâncias é fundamental para que nos sintamos congruentes e dessa forma nos mantenhamos no movimento continuado de activação, persistência e intensidade. Para isso, é importante que façamos uma avaliação e um balanço dos nossos valores, bem como, reconhecer em que medida a nossa motivação é influenciada por incentivos externos, presentes no nosso ambiente e contextos sociais, e se assim for, fazê-los corresponder a motivos internos elevados e relevantes, com a matéria emocional adequada à energia para a acção continuada e sustentada no tempo.


~ Joana Sobreiro




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