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MODELO DE COMUNICAÇÃO DA PNL

— Juras dizer a verdade, toda a verdade e nada além da verdade?

— Ninguém pode dizer ‘toda a verdade’. É subjectivo. Foi filtrado pelas nossas próprias experiências. – (Dr. Lightman em Lie to Me)


O eu e a realidade... Quando falamos em realidade, estamos a falar exactamento do quê? Será possível acedermos a ela por completo, ou apenas a uma parte? E a parte, será esta uma pequena fatia do todo, ou adopta contornos que já se encontram fora dela? Como percepcionamos o mundo? Como aprendemos a navegar o mundo? Podemos estabelecer uma relação entre percepção e navegação? Se existe apenas uma realidade, porque não reagimos todos da mesma forma às mesmas coisas?

A programação neurolinguística sustenta todo o seu desenvolvimento no pressuposto de que formamos, individualmente, mapas mentais únicos da realidade e navegamos o mundo usando esses mapas.



MUITOS MAPAS

PARA O MESMO TERRITÓRIO

“O mapa não é o território” foi uma expressão apresentada em 1931 pelo matemático e filósofo Alfred Korzybski no seu trabalho sobre Semântica Geral.

Esta afirmação tem um princípio construtivista, em que se pressupõe que nós construímos os nossos modelos de mundo no nosso sistema mente-corpo, e respondemos a esses modelos de mundo.

Imagine que vai fazer um mapa do local onde mora! Nesse mapa não irá certamente mostrar todas as casas, todas as árvores, todas as flores, todas as caixas de correio em todos os muros, todos os postes de electricidade, todas as passadeiras na estrada, todos os ecopontos, um carreiro de formigas no passeio, uma formiga que transporta uma folha dez vezes maior que ela, etc, etc, etc. Quero com isto demonstrar que o mapa do local onde mora, não é a mesma coisa que o local onde mora.

A ideia aqui desenvolvida é que um mapa da realidade, não é a realidade e mesmo os melhores mapas são imperfeitos, incompletos e inacabados, pois tratam-se sempre de representações reduzidas daquilo que representam. Um mapa que representasse fielmente o território, perderia a sua utilidade.

Sendo este um trabalho em torno da estrutura da linguagem, a compreensão deste fenómeno, que distingue mapa e território, pode ser igualmente entendido ao reconhecermos que as palavras que usamos para descrever um acontecimento, não são o acontecimento, a descrição da coisa não é a coisa em si, a abstracção não é o abstracto.


Entende-se por isso, que “mapa” é qualquer abstracção da realidade, onde se incluem as suas descrições, modelos e teorias que o explicam e representam. É importante compreendermos que apesar de falíveis e incompletos, os mapas são necessários.

O facto de sabermos que um mapa é fruto de uma abstracção não lhe retira importância, pelo contrário, precisamos dela, pois a única forma que a nossa mente tem de processar a complexidade da realidade é por meio da abstracção. A abstracção é tão fundamental e inerente à mente humana, que fazemos mapas de tudo, sabendo que mesmo que estejamos a usar um mapa incorrecto ou incompleto, qualquer mapa é melhor do que nenhum mapa.



UM MODELO DE COMUNICAÇÃO

Com base nestas premissas iniciais, a programação neurolinguística procurou desenvolver um modelo que nos ajude a compreender a estrutura e os mecanismos dos nossos processos de comunicação. Descrevendo uma série de etapas que ocorrem em cada pessoa, a cada momento, que dão origem à criação de mapas mentais únicos do mundo.

Neste artigo, irei discorrer em torno deste modelo, que como já ficou claro, trata-se de um modelo, ou seja, de um mapa que procura descrever a criação do próprio mapa.

Seja por isso, bem vindo ao Modelo de Comunicação da PNL, que no meu mapa, é o melhor mapa que poderemos usar para compreender a nossa comunicação e ajustar a nossa navegação aos diversos territórios por onde circulamos.


Ainda antes de Tad James e Wyatt Woodsmall terem ilustrado graficamente o modelo de comunicação que aqui apresento, originalmente ele foi descrito por John Grinder (um dos criadores da PNL) no seu livro Whispering in the Wind, não como um modelo, mas como a epistemologia da PNL.

Ao apresentá-lo como uma epistemologia, Grinder não procurou explicar o fenómeno da comunicação como uma via de aprendermos a comunicar, mas antes de mais, explicitar a compreensão de um conjunto de mecanismos que nos permitem desenvolver um profundo respeito pela estrutura da experiência subjectiva dos indivíduos.

Significa isto, que não se pretende que aprenda, literalmente, a comunicar, mas antes que conheça os mecanismos da própria comunicação, entendendo que só percepcionamos uma fracção da realidade, só comunicamos uma fracção do que queremos dizer e que o outro só apreende uma fracção do que dizemos.



Observe a imagem que lhe apresento acima, lendo-a da direita para a esquerda. A primeira coisa que poderá observar é que estabelecemos contacto com a realidade externa através dos órgãos dos sentidos, são os nossos canais sensoriais que nos permitem percepcionar o mundo e é através deles que veiculamos informação.

Entenda “realidade externa” como qualquer coisa que esteja a ocorrer externamente, no território, poderá ser uma reunião de trabalho, o jantar de Natal em família, uma ida ao ginásio ou o problema dos plásticos nos oceanos.

Logo o que podemos observar na imagem é que o território é veiculado através da nossa visão, audição, tacto, olfacto e paladar, sendo que a estes três últimos a PNL dá o nome de canal cinestésico, perfazendo assim, três canais designados por visual, auditivo e cinestésico.


Recolhemos dados do mundo ao nosso redor, processando as informações através de receptores sensoriais dos cinco sentidos, que por sua vez sofrerão transformações neurológicas e serão transferidos para projecções corticais. Esta primeira fase, ocorre de forma totalmente involuntária e inconsciente, tratando-se do passo anterior ao primeiro acesso consciente.

Feixes de luz são processados pelos sensores das células da retina, onde é produzida uma reacção química na qual dois pigmentos formam um composto de proteína e vitamina A. Deste processo químico um impulso eléctrico é enviado ao cérebro através das fibras nervosas.

As ondas sonoras são captadas pelo pavilhão auricular, cuja vibração no tímpano faz vibrar outros três pequenos ossos do ouvido. Estas vibrações conduzem o fluido do nervo auditivo e este envia sinais nervosos ao cérebro.

Em cada um dos nossos dedos existem cem receptores com terminações nervosas, localizadas na derme, que transportam informações periféricas até à medula espinal, que por sua vez as leva até ao cérebro.

Moléculas dissolvidas no ar entram pelas cavidades nasais onde se dissolvem na mucosa e atingem os prolongamentos das células olfactivas, que enviam impulsos para o sistema nervoso, onde as sensações olfactivas serão interpretadas e produzidas.

A língua é composta por inúmeras e microscópicas células sensoriais, de nome papilas gustativas, que se ligam às terminações nervosas e captam os estímulos de sabor, enviando impulsos nervosos ao cérebro, que os transformará em sensações gustativas.


Esta orquestra de reacções químicas e viagens nervosas dá origem ao primeiro mapa neurológico, sendo esta a fase que antecede a descrição verbal. Este primeiro mapa é um conjunto de informações puramente sensoriais, que agora se encontram no estado de projecções corticais e prontas para lhe darmos um nome, uma descrição, um código, um rótulo, ou seja, usarmos linguagem.

A cada momento chegam, à nossa neurologia, milhões de bits de informação, que serão processados, por cada indivíduo, através do seu sistema de filtragem único, dando origem a um mapa sensorial interno do mundo feito de imagens, sons, sensações, cheiros e sabores.

As imagens da retina são transformadas em actividade cortical no córtex visual, onde é criada uma imagem tridimensional ilusória de que tudo ao nosso redor é real. Leu ilusória? É isso mesmo! Temos uma imagem do nosso entorno que nos parece real, mas é ilusão, foi criada dentro do nosso cérebro e é limitada, pois apenas a informação que se encontra entre os feixes ultravioleta e os infravermelhos é que passa por estes filtros.

O mesmo ocorre com o som. O córtex auditivo recebe os impulsos nervosos, reconhece-os e separa-os, identificando o tom e a localização do som, sendo que estamos limitados ao número de frequências que conseguimos captar.

Já o córtex sensorial somático processa o toque, a pressão, a temperatura e os dados proprioceptivos, que darão informação ao córtex motor primário responsável pelos movimentos. As sensações de resposta de luta ou fuga são geradas pela actividade do sistema límbico.


Montado o palco da representação do mundo nos nossos cérebros, estamos aptos a criar um segundo mapa. Ao organizarmos esta actividade sensorial, a fase seguinte é adicionarmos a estas informações um significado pessoal, dando origem ao mapa linguístico. É o que nos permite dizer; “isto é uma casa”, “isto é um carro”, “isto é um livro”, “isto é uma batata frita”, “isto é um homem”, “isto é uma mulher”, “isto é uma criança”, “isto é um gato” e por aí fora...

Então a pergunta é: em que é que nos baseamos para associar um rótulo à informação sensorial captada e processada? A resposta é: estamos previamente condicionados! Graças às nossas experiências passadas, por exemplo, a todas as casas que já vimos, podemos olhar para uma nova casa e saber que se trata de uma casa.


Creio que seja fácil, perceber que do lado de fora há mais informações a cada momento, do que aquelas que precisamos. Há mais, muito mais do que conseguimos processar. Imagine que viaja em alta velocidade numa auto-estrada. Provavelmente, haverá uma série de informações que lhe passarão despercebidas, como pormenores na paisagem ou sinaléctica ao longo do trajecto. Toda a informação que não é relevante para o acto de conduzir e levá-lo ao destino pretendido, ficará fora da sua percepção. Este é um processo inconsciente, onde é feita uma triagem sobre os estímulos que entram e os que ficam de fora. Se assimilássemos todas as informações sensoriais que surgem no caminho, explodíamos as nossas cabeças.


Esta ilustração meio explosiva, cumpre a função de lhe demonstrar que há um crivo, que a informação que nos chega é filtrada e que só parte desta será processada pela nossa neurologia. Esse crivo é composto por distintos filtros que são feitos de memórias de experiências passadas, daquilo em que acreditamos, do que é para nós importante, dos objectivos que temos, do estado da energia no nosso corpo, da língua que falamos, entre tantos outros.

Significa isto, que quando “o mundo nos adentra” não encontra um espaço em branco, já existe em nós informação prévia, um condicionamento, que irá dar forma e fará uma triagem à enormidade de informação a que possamos estar expostos. Neste processo ocorrem três fenómenos distintos, que em conjunto darão forma ao mapa linguístico que estamos a criar do território.



DISTORÇÕES, GENERALIZAÇÕES

E OMISSÕES

Nesta fase cruzamos a informação captada com as representações, previamente, codificadas e deparamo-nos com uma limitação da nossa neurologia. Segundo Mihaly Csikszentmihalyi, no seu livro Flow: The Psychology of Optimal Experience, dos 2 milhões de bits de informação a que estamos expostos a cada segundo, só nos é possível processar 134 bits, acrescido de que a nossa descrição linguística só lida com 7 +/- 2 unidades de informação, simultânea, a cada momento, ou seja, entre 5 e 9 unidades de informação. Esta teoria do número 7 foi descrita no artigo The Magical Number Seven, Plus or Minus Two publicado por George Miller nos seus estudos sobre a memória humana de curto prazo.

Logo o nosso mapa linguístico sofre distorções, generalizações e omissões, pois é filtrado pelos nossos condicionamentos, restrições sociais e individuais pelas quais passamos para fazermos parte de uma sociedade específica e seguir uma determinada cultura.

Entenda-se condicionamentos por memórias e recordações de experiências passadas, crenças, valores, decisões, tempo e espaço, matéria e energia, características de perfil psicológico e idioma. São estas restrições que filtram as nossas experiências e nos ajudam a dar sentido ao mundo, preparando-nos para as diferentes situações com que nos iremos deparar.

É graças a estes condicionamentos prévios, que nos é possível atribuir linguagem ao que é sensorialmente captado. Significa isto que estamos perante uma segunda camada de filtros, agora não sensoriais, mas idiomáticos, culturais e de experiências subjectivas individuais passadas.

É comum ouvirmos pessoas que falam diferentes idiomas relatarem que percepcionam os acontecimentos de forma diferente, de acordo com língua que estão a usar.

Este mapa linguístico molda a nossa atenção consciente diária e é com base nele que criamos a nossa estrutura profunda, a que damos o nome de representações internas e que originam o nosso modelo de mundo.


A nossa estrutura profunda é feita de generalizações, omissões e distorções, e neste momento, é possível que já tenha uma ideia do que se trata, mas ainda é provável que pergunte: “podes explicar melhor o que é isso?”.


O que são Generalizações?

Trata-se do processo de usar uma experiência específica e universalizá-la, pegar num evento único e aplicá-lo de uma forma mais ampla, tirando conclusões genéricas baseadas em uma ou duas experiências de referência. Por exemplo, tive uma relação amorosa que me causou sofrimento e torno-a em algo como “os homens são todos iguais”, tenho visto vários exemplos de corrupção na política e transporto isso para “todos os políticos são corruptos”, fui a duas entrevistas de emprego em que não fui escolhida e passo a dizer a mim mesma que “falho sempre nas entrevistas de recrutamento”. Generalizar inclui o uso de palavras como “tudo”, “todos”, “sempre”, “nunca”, “nada”, “ninguém”.

A generalização é a matéria-prima das nossas crenças, pois uma vez criadas, passamos a organizar as nossas vidas em torno delas. Apegamo-nos às nossas crenças e tornamo-las profecias auto-realizáveis mesmo quando nos são apresentadas evidências contrárias.

Ao nos depararmos com algo que contrarie o nosso filtro-crença, o nosso sistema omite ou distorce essa informação de forma a que o mundo continue a caber na nossa generalização.


O que são Omissões?

A omissão ocorre quando, de uma forma selectiva, prestamos atenção a certos aspectos da experiência em detrimento de outros. Trata-se do processo através do qual prestamos selectivamente atenção a partes da nossa experiência e negligenciamos, e excluímos outras partes. A omissão deixa parte da informação fora do espaço da nossa consciência.

Por exemplo, ao ler este artigo é bastante provável que não esteja consciente dos seus dedos dos pés, e só lhes prestou atenção agora porque leu isto. Ou imagine-se numa viagem de avião onde está tranquilamente a ver um filme e uma criança começa a berrar, algumas pessoas irão omitir o choro da criança e continuar a ver o filme, já outras deixarão de ver o filme para só escutarem a criança.


O que são distorções?

A distorção ocorre quando fazemos mudanças na nossa experiência de dados sensoriais, deturpando a realidade. Quer isto dizer, que se trata do processo pelo qual alteramos as nossas percepções, para as adequar aos nossos filtros. Distorcer é inventar, deturpar, numa espécie de alucinação em que acrescentamos conteúdo que não tem substância nem base nos dados captados. Sempre que alguma informação não vá ao encontro do que já está codificado nos nossos filtros, não alteramos o filtro, mas o significado que damos à experiência para fazê-la caber. Por exemplo, se eu tiver generalizado que não sou capaz de passar numa entrevista de emprego, quando conseguir passar, em vez de mudar a generalização, posso distorcer a experiência dizendo “foi só desta vez, tive sorte”.


Mas atenção, até aqui só lhe dei a perspectiva menos simpática destes três fenómenos, mas fui parcial. Generalizar, omitir e distorcer são também muito úteis e benéficos para a nossa criação de mapas do território.

  • Generalizar é o princípio da aprendizagem – como aprendemos por generalização, no momento em que aprendo a abrir uma porta ou a subir umas escadas, vou saber abrir todas as portas e subir todas as escadas;

  • Omitir é o princípio da atenção – é possível focarmos e dirigirmos a nossa atenção porque omitimos um conjunto de informação que naquele momento poderá ser considerada inútil;

  • Distorcer é o princípio da criatividade – somos capazes de nos imaginar nas próximas férias, visualizar o nosso quadro preferido, definir objectivos e criar planos futuros porque distorcemos.


Acredito que aqui chegados começa a ficar mais claro porque é que duas pessoas diante do mesmo estímulo, não têm a mesma resposta. A verdade é que todos experimentamos o mundo de maneira distinta, pois cada um irá distorcer, generalizar e omitir coisas diferentes.

Cada indivíduo filtra os acontecimentos externos de maneira única, codifica-a nas suas representações internas de maneira única e relaciona-se com o mundo de maneira única. É esta diferença que a PNL define como subjectividade e é por isso que Richard Bandler descreveu a PNL como “o estudo da estrutura da experiência subjectiva do ser humano”.

Podemos olhar para o mesmo acontecimento e percebermos dele coisas distintas, pois a “realidade real” é uma experiência alheia ao que somos capazes de processar e as nossas representações internas são apenas a nossa “realidade subjectiva”.



O COMPORTAMENTO É A RESPOSTA

AO MAPA NEUROLINGUÍSTICO

Com tudo o que vimos até agora, podemos então clarificar que os nossos mapas ou representações internas são feitos de 6 coisas: imagens, sons, sensações, cheiros, sabores (1º mapa – sensorial) e palavras (2º mapa – linguístico), são estas as seis únicas coisas que fazemos dentro de nós e que dão forma ao mapa neurolinguístico que usamos para navegar no mundo.

Imagens, sons, sensações, cheiros, sabores e diálogo interno compõem o pacote que determina onde está a nossa atenção. Se quisermos mudar o foco da nossa atenção, podemos mexer nestes seis elementos.


Se voltar a olhar para a imagem do modelo de comunicação que se encontra mais acima, poderá ver que as nossas representações internas, que são também feitas de pensamentos com conteúdo e significados linguísticos, influenciam o estado emocional em que nos encontramos.

Entenda estado emocional como alegria, tristeza, motivação, etc., que por sua vez influencia a nossa fisiologia. Quer isto dizer, o processamento neurológico de toda a informação a passar por todos os filtros, influencia quimicamente o nosso corpo, que irá produzir um estado emocional e este, por sua vez torna-se visível através da nossa postura corporal, expressões faciais, respiração, etc.

Esta tríade feita de representações internas, estado emocional e fisiologia, cria um estado de ser que guia o nosso comportamento. E porquê? Porque se é verdade que as representações internas influenciam o estado emocional, que por sua vez se manifesta fisiologicamente, o inverso também é verdade. A fisiologia afecta o estado emocional, que influencia as nossas representações internas.

Com isto, sabemos que temos três portas de entrada para mudar a nossas representações internas, os nossos mapas, actuando directamente nas nossas imagens, sons e sensações, mudando o nosso estado emocional ou mudando a nossa fisiologia.


Deixe-me perguntar-lhe. O seu comportamento é o mesmo quando se sente bem e quando se sente mal? Age da mesma forma e faz as mesmas coisas quando está super entusiasmado e quando está cheio de ansiedade? Certamente que a sua resposta é não! E não porque conforme podemos ver na imagem do modelo, o nosso comportamento resulta do estado emocional em que nos encontramos, ou seja, a forma como nos sentimos. É por esta razão que na PNL costumamos usar a frase: “a tua performance resulta do teu estado” – se queremos que os nossos comportamentos produzam resultados diferentes, precisamos estar no estado emocional adequado ao desempenho pretendido.

Imagine-se a subir a um palco para fazer uma apresentação para 200 pessoas. Se estiver à beira de um ataque de nervos, certamente que o seu desempenho não será o mesmo que o que poderá ter se estiver a sentir-se alegre, confiante e leve.


Chegámos então à última fase deste modelo de comunicação. Começámos na realidade externa que é veiculada e processada pelos sentidos, que passa pelos nossos condicionamentos e se deforma para criar um mapa na nossa estrutura profunda, que a partir do significado que atribuímos à sua codificação é-nos gerado um estado emocional expresso na nossa fisiologia e deste conjunto devolvemos algo ao mundo, resultado da expressão da nossa estrutura de superfície.

A estrutura de superfície consiste nos padrões de saída, aquilo que devolvemos ao mundo, quer isto dizer: os nossos comportamentos explícitos, as frases que pronunciamos, a tonalidade que usamos para manifestar a nossa expressão verbal e os movimentos do nosso corpo. Trata-se daquilo que já pode ser captado por outros.


Ao fecharmos este ciclo torna-se possível entender que toda a PNL trabalha e se desenvolve em torno deste modelo e na noção de que se temos um mapa do território e respondemos a esse mapa, se quisermos ter uma outra resposta, tudo o que precisamos fazer é mudar esse mapa, para que possamos ter uma nova resposta para o mundo.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

O modelo de comunicação da PNL mostra-nos que o mundo que experienciamos não é o mundo fora de nós, mas o mundo que criamos dentro de nós. Não nos relacionamos com a realidade como ela é, mas apenas com a nossa própria percepção da realidade. Somos responsáveis pela forma como a percepcionamos!

Tudo o que temos é uma percepção das coisas e pessoas fora de nós, e projectamos o produto resultante dos nossos filtros. Mudar os filtros é mudar essa percepção e essa projecção.

Qualquer coisa que possamos estar a vivenciar e que consideramos ser um problema, é importante lembrarmos que o problema nunca está num evento externo, mas na representação interna que fizemos desse evento. Se tiver medo de andar de elevador, o problema não é o elevador, de outra forma todos teríamos medo de andar de elevador. O problema é a sua representação interna e é ela que pode ser mudada.

É exactamente isso que trabalhamos nos cursos de PNL e nos processos de coaching com PNL, não estamos a querer criar mudanças na realidade externa das pessoas, mas nos seus mapas da realidade. Uma vez com um mapa diferente, a mudança na realidade é inevitável. Quanto melhor o mapa, melhor a navegação no território.



~ por Joana Sobreiro





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