PNL

Atualizado: 18 de ago.

Já muito escrevi sobre a PNL, mas muito mais pode ser escrito, discutido, reflectido e construído. Assim, neste artigo, procurarei alargar mais a explicação do que é a PNL, porquê, para que serve e para quem.


Segundo Robert Dilts, um dos mais importantes co-autores e desenvolvedores da PNL – são “Ferramentas para sonhadores”.


PNL é a abreviatura de Programação neurolinguística, e nela encontramos a descrição de três, relevantes e influentes, componentes que se relacionam directamente com a experiência humana – a neurologia, a linguagem e a programação.

Neurologia, refere-se directamente ao nosso sistema neurológico, regulador do funcionamento dos nossos corpos.

A linguagem, um fenómeno que, largamente, nos diferencia de outros seres vivos, nomeadamente de outros mamíferos, e que determina a forma como interagimos e comunicamos intra e inter pessoalmente.

E a programação, que se refere especificamente ao tipo de modelos de mundo que, individualmente, criamos.


Vou dedicar-me um pouco mais a este último elemento – a programação – e faço-o por diversas vezes me deparar com o comentário (de quem ainda não teve oportunidade de aprender mais sobre a PNL): “não gosto nada dessa ‘coisa’ de programar pessoas”. Pois permita-me fazer este esclarecimento! A PNL é, por definição, o estudo da estrutura da experiência subjectiva dos seres humanos e o que podemos fazer com ela. Ou seja, trata-se do estudo e compreensão de como cada pessoa percebe/percepciona e organiza dentro de si a sua experiência individual do mundo. Não é a PNL que nos programa, somos nós! Nós é que diariamente nos programamos e usamos os nossos programas para lidar com os acontecimentos.

Conhecer e compreender este fenómeno permite-nos desenvolver o sentido crítico de determinar se os programas que estamos a usar potenciam ou limitam a nossa vida, e no caso dos segundos, ao compreender a sua estrutura podemos então mudá-los.


Então o que procuramos através das abordagens, modelos, metodologias e padrões da PNL é descrever a dinâmica fundamental entre a nossa mente (neuro) e a linguagem (linguística), e como esta interacção afecta o nosso corpo e influencia o nosso comportamento (programação).

Estamos por isso a falar de uma escola pragmática de pensamento, uma epistemologia, que procura abordar e conhecer os diversos níveis envolvidos no ser humano.


A PNL como escola de pensamento aplicado, tem vindo a evoluir no seu espectro de estudo e hoje já falamos na terceira geração, onde se coloca a conquista do estado interno de presença e criatividade como o centro da melhor performance humana, sem perdermos as suas raízes que abordam um processo multidimensional que envolve o desenvolvimento de competências comportamentais como flexibilidade, que exige a compreensão dos processo mentais, cognitivos e emocionais percursores do comportamento.

É por isso que na PNL procuramos desenvolver, através de diferentes ferramentas, o estado de excelência individual. Sistematizando um conjunto de pressupostos e axiomas que nos dão uma visão de Homem e de como os nossos filtros perceptivos e pré-programações potenciam ou inibem a nossa comunicação e os nossos processos de mudança.

Mais especificamente, PNL é sobre auto-descoberta, auto-regulação, abertura a novas possibilidades e permissão para fazer escolhas individuais congruentes com a perspectiva individual de quem sou e para que estou no mundo.


Na sua essência, toda a PNL está apoiada em dois pressupostos fundamentais:


O Mapa não é o Território

Como seres humanos não temos acesso directo à realidade. Conseguimos, apenas, conhecer as nossas percepções da realidade. Experimentamos e respondemos ao mundo através dos nossos sentidos e sistemas de representação sensorial, e é através deles que criamos mapas neurolinguísticos da realidade que determinam e dão significado aos nossos comportamentos. Ou seja, não é a realidade em que nos encontramos que nos limita ou capacita, mas sim o mapa que criámos dessa realidade.


Falo-lhe assim, do pressuposto fundamental de todo o desenvolvimento da PNL, cujo autor foi Alfred Korzybski e dele a PNL bebeu influência.

Esta afirmação tem um princípio construtivista, em que se pressupõe que nós construímos os nossos modelos do mundo no nosso sistema mente-corpo e respondemos a esses modelos do mundo.

Ou seja, na verdade nós nunca respondemos à realidade ou ao mundo, ao território. Respondemos aos mapas que temos desse território. E os nossos mapas não são o território, nem nunca poderão ser, pois o território é filtrado através da nossa neurologia, através dos nossos sentidos. É por isso, que a noção deste axioma é tão importante e crucial de compreender no estudo da PNL, pois todo o seu trabalho se desenvolve em torno disto.

Então se eu tenho um mapa do território e respondo a esse mapa, se eu quero ter uma outra resposta, tudo o que eu preciso é mudar esse mapa, para que eu possa ter uma nova resposta para o mundo.


A vida e a mente são processos sistémicos

Todo e qualquer processo que ocorre dentro de um ser humano, deste com outros seres humanos e mesmo entre este e o seu ambiente são sistémicos.

O nosso corpo, a família de onde viemos, a comunidade a que pertencemos, a sociedade em que estamos inseridos e todo o universo onde nos movemos, formam uma teia complexa e intrincada de sistemas e subsistemas que interagem e se influenciam mutuamente, e sob a qual criamos ecologia.

Nesta visão sistémica não é possível isolar totalmente uma parte do sistema, sem desequilibrar um sistema maior, pois todo o sistema segue princípios de equilíbrio e auto-organização que procurarão sempre a homeostase, ou seja, a estabilidade e ecologia do próprio sistema.


Quando lhe falo de ecologia refiro-me à preocupação que cada um de nós tem com o sistema em geral. A verificação ecológica é feita quando se considera a forma como uma mudança operada se encaixa num sistema mais amplo.

Este fenómeno é parcialmente inconsciente e pressupõe-se que seja, maioritariamente, consciente, onde cada um de nós procura ter em conta se o que parece ser uma boa mudança para uma parte do sistema poderá ser ou não causadora de problemas em outras partes do sistema. A verificação ecológica é como saber se um medicamento causa efeitos secundários nocivos mesmo que cure a doença e fazer uma ponderação da adequação ou não do seu uso.


Como parte de uma técnica da PNL, verificar a ecologia assegura que a PNL não se tornará manipulativa, que as suas acções não levarão a ganhos para si e a perdas para outrem.

Ao verificar a ecologia, também nos asseguramos de não nos estarmos a manipular a nós mesmos, forçando-nos a adoptar algum comportamento do qual nos arrependeremos mais tarde ou que prejudique, seriamente, outra pessoa.

Todas as acções têm consequências além de seu contexto específico. As nossas vidas são complexas, uma mudança causará ondulações como numa pedra lançada num lago sereno. Algumas mudanças causam ondulações mais fortes que outras. Algumas ondulações acalmarão, outras poderão agitar a superfície muito mais além do que se esperava. Mas poucas serão inócuas.


Todo o desenvolvimento dos modelos e técnicas da PNL baseiam-se na conjugação destes dois princípios/pressupostos. Como referi anteriormente, à luz do primeiro axioma, nós enquanto seres humanos não conhecemos a realidade objectiva, ficando-nos apenas pela quota parte relativa e de subjectividade.

Aceitando esta premissa, esta também se aplica ao princípio da ecologia, pois não procuramos determinar o que é certo ou errado para o indivíduo, mas capacitar o ser humano de uma perspectiva sobre si e a sua percepção que flexibilize e amplie os seus mapas do mundo, dentro de um quadro de ecologia individual e nos sistemas onde está inserido.

Quanto maior e com mais opções for o nosso mapa do mundo, mais escolhas se tornam disponíveis, dotando-nos de mais facilidade para adoptar novas perspectivas.

Assim, a PNL é um modelo que nos convida a ter mais escolhas e a reconhecer mais e melhor o mundo ao nosso redor.

PNL são possibilidades, onde a excelência humana resulta de termos mais escolhas e a sabedoria de termos várias perspectivas.


~ por Joana Sobreiro


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