ATENÇÃO PLENA

Atenção plena à vida no presente, momento a momento, num despertar para o agora.

Enraizada nos antigos ensinamentos budistas e hindus, a atenção pela tem fortes raízes e influencias da cultura Pali e do seu conceito Sati que se refere à direcção da atenção, à expansão da consciência e à percepção do momento presente, sendo este considerado o primeiro passo no caminho da iluminação. Mindfulness é então a expressão anglo-saxónica que deu nome à sistematização deste conjunto de práticas.


O seu surgimento e crescimento na cultura ocidental foi feito pela mão de Jon Kabat-Zinn, que entre outros, estudou com Thich Nhat Hanh. Como médico e professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Massachusetts, Kabat-Zinn desenvolveu no final da década de 1970 um programa designado por Mindfulness Based Stress Reduction (MBSR), com foco no alívio da dor crónica. No seu trabalho pôde perceber que muitos dos pacientes que sofriam de dor crónica procuravam, a maior parte do tempo, evitar essa dor e que essa rejeição seria desencadeadora de um sofrimento mais profundo. Este seu trabalho mostrou que as prática de mindfulness são efectivas e bem sucedidadas no que toca à gestão da dor.

Como a evolução da sua aplicação e, sobretudo, com a enorme investigação que tem sido desenvolvida em torno dos seus efeitos reais e demonstráveis, a atenção plena tornou-se uma técnica terapêutica e uma prática clínica convencional, tendo sido integrada no conceito de Terapias de Terceira Geração, onde foi agregada à Terapia Cognitiva, à Terapia Comportamental Dialéctica, à Terapia de Aceitação e Compromisso, entre outras.


Em que se baseia a atenção plena?

Encontramos nas práticas da atenção plena dois componentes fundamentais – a consciência e a aceitação. Trata-se da capacidade de concentrar a atenção nos processos e experiências internos, que ocorrem a cada momento ampliando a consciência do momento presente. E, simultaneamente, desenvolver a capacidade de observar sem julgamento todos esses fluxos internos, aceitando-os exactamente como são.


Qual o objectivo da atenção plena?

Hoje sabemos que as suas aplicações são inúmeras e, como tal, produz diferentes resultados de acordo com os objectivos a que se propõem o praticante. Sabendo que parte deste processo passa por conhecer, treinar e libertar a mente, cultivar uma perspectiva mais ampla sobre a consciência é um dos propósitos desta prática. São também conhecidos os seus resultados na gestão dos estados de stress e ansiedade, e na capacidade de relaxamento.


Quais as diferenças entre o estado mindful
e o estado de flow?

Flow ou fluxo é um estado de atenção dirigida onde somos totalmente absorvidos por uma actividade, mas onde não necessariamente mantemos a auto-consciência. Já o estado mindful procura manter a auto-consciência sempre presente em cada actividade em que estivermos envolvidos. Ambos os estados exigem direcção da atenção e concentração profundas, mas apenas o flow incorpora o movimento temporal, que nos permite navegar em direcção a metas e objectivos, comportando também informações do passado. O estado mindful, por sua vez, canaliza toda a atenção e concentração inteiramente para o momento presente.


Quais as diferenças entre atenção plena
e meditação?

Quando procuramos dar resposta a esta questão, é importante referir que não existem diferenças substanciais, ou pelo menos, não existem diferenças que as separem.

Quando as analisamos da perspectiva da meditação (e porque existem inúmeras formas de meditar) a atenção plena é uma das formas de meditar.

Ao olharmos da perspectiva da atenção plena, meditação é a dimensão das suas práticas formais. Apesar disso, a atenção plena estende-se a toda e qualquer prática da vida no dia-a-dia, onde somos convidados a estarmos presentes em cada momento, mesmo que informalmente.


Porque se fala tanto e cada vez mais pessoas praticam a atenção plena?

Poderão haver inúmeras respostas para esta questão e, provavelmente, cada praticante terá as suas próprias motivações, pelo que, poderemos encontrar tantos motivos quanto os seus praticantes. Apesar disso, acredito que haja uma resposta genérica para esta questão. A popularidade da atenção plena é um produto do nosso estilo de vida actual. A aceleração em que vivemos, a falta de tempo, o excesso de informação, o multitasking, a dispersão e falta de foco que a vida quotidiana hoje, facilmente, nos proporciona, fizeram com que natural e simultaneamente crescesse a necessidade de mais momentos de silêncio, relaxamento, contemplação e quietude.

Não é por acaso que hoje temos empresas a investir e a disponibilizar práticas de mindfulness aos seus colaboradores durante o horário de trabalho. Assim como, tem sido abraçado por equipas desportivas, por militares, cada vez mais implementado em mais escolas e está presente nas rotinas de cada vez mais pessoas por todo o mundo.


Quais os benefícios da atenção plena?

Entre os seus principais benefícios encontramos uma redução, muito significativa, dos níveis de stress e ansiedade, diminuição dos estados depressivos, maior aceitação das circunstâncias e melhor regulação emocional. Orientando-nos para comportamentos mais assertivos e equilibrados, permitindo sermos menos reactivos e libertar-nos do piloto automático.


Praticar atenção plena é desenvolver consciência e como ela, ter uma maior equilíbrio físico, psicológico e emocional. Vários estudo têm demonstrado que a introdução destas práticas na rotina diária permitem:


Tornar o pensamento mais positivo, contribuindo para contrariar o looping de pensamentos negativos e estado depressivos;

Alterar processos cognitivos e emocionais que promovem problemas clínicos como o stress e a ansiedade;

Reforçar a memória como efeitos directos no aumento da actividade nestas regiões cerebrais;

Potenciar o foco por estar directamente relacionada com o desenvolvimento de uma maior flexibilidade cognitiva e funcionamento assertivo da atenção;

Melhorar a capacidade de reflectir e ponderar, diminuindo a reactividade emocional;

Maior flexibilidade cognitiva derivada de uma melhor capacidade de auto-observação liberta de filtros perceptivos disfuncionais;

Fortalecer as relações, por aumentar a consciência interpessoal;

Proteger o corpo, diminuindo a pressão arterial, reduzindo os níveis de açúcar no sangue e restabelecendo o ritmo cardíaco.


Como praticar a atenção plena?

A chave da atenção plena é, tal como o nome indica, a forma como prestamos atenção. Ou seja, como dirigimos a nossa atenção, onde a colocamos e como a mantemos. A capacidade de prestar atenção ao momento presente é, fortemente, afectada pelos nossos estado emocionais e, sobretudo, pelo grau de desvio temporal em que habitualmente nos encontramos, entenda-se entre reviver experiências e memórias do passado, reproduzindo automaticamente os mesmo padrões emocionais, ou a antecipação do futuro.


Adoptar uma prática de atenção plena poderá ser feita através de meditação formal ou informalmente a qualquer momento do dia. Para cultivar o estado de atenção plena, podemos adoptar uma prática muito simples – observar a respiração. Concentrando a atenção na respiração e nas sensações que esta provoca a cada momento, sentindo o movimento e temperatura do ar a entrar e a sair dos pulmões, ouvindo os sons da inspiração e da expiração, sentindo os aromas do ar, ou até mesmo, as sensações no corpo que o movimento da respiração provoca.

Poderá também ser praticada através da observação do fluxo dos próprios pensamentos, emoções e sensações físicas. Apenas deixando que a atenção acompanhe o fluxo, sem interferir, sem mudar nada, numa atitude curiosa de reconhecer o que está a acontecer no momento presente.


~ por Joana Sobreiro



Se quer iniciar uma prática de mindfulness, uso este áudio de Atenção Plena à Respiração.


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