OLÁ! SOU O TEU NARIZ...

Atualizado: 20 de fev.

“Olá! Sou o teu nariz...

É possível que te tenhas esquecido de mim e andes pela vida a respirar pela boca.”


Começo por provocar um diálogo entre si e o seu nariz para que possa reflectir.

Já observou a sua respiração? Que via usa como circuito principal, o nariz ou a boca? Como respira? A sua respiração é rápida ou lenta? É superficial ou profunda? Se conseguir responder, rapidamente, a estas questões eu diria que é um bom sinal, tendo em conta que a maioria das pessoas nem se lembra que respira.

A minha intenção neste artigo, é partilhar consigo um princípio muito simples, mas que poderá fazer uma enorme diferença na sua vida – Respire pelo nariz!


A minha experiência no acompanhamento de pessoas em processos de mudança e desenvolvimento, e extrapolando para outras realidades que vou calibrando no dia a dia, tem-me mostrado que um número considerável de pessoas respira pela boca.

Podemos viver a respirar pela boca? Sim! Mas, não podemos viver bem fazendo-o por essa via. Se fosse para usar a boca como via respiratória, porque é que a natureza haveria de ter criado estes geniais orifícios chamados narinas? Costumo brincar com os meus clientes e alunos sugerindo que adoptem esta máxima: “a boca serve para imensas coisas extraordinárias, só não serve para respirar”. Isto inclui tanto a entrada como a saída do ar – a inspiração e a expiração.


Esta ascensão da boca a via respiratória é demasiadamente comum e impactante a diversos níveis, tanto físicos (neuro-musculares, esqueléticos e imunitários), como psicológicos, emocionais e energéticos, que até já lhe foi dado um nome – Síndrome do Respirador Bucal.

Respirar pela boca é responsável por provocar alterações morfológicas e fisiológicas como deformação da arcada dentária e do céu da boca, desnivelamento dos seios nasais, esforço das cordas vocais alterando a voz, pressão na coluna vertebral, alteração da postura da cabeça e pescoço, estiramento dos músculos raquidianos e desestabilização das vértebras cervicais, provocando alterações vasculares.

Brevemente, num outro artigo, falar-lhe-ei do sistema nervoso central, nomeadamente da região do tronco cerebral e, sobretudo, da importância do nervo vago para a activação das funções autónomas parassimpáticas.

Voltando às alterações, respirar pela boca enfraquece a musculatura do diafragma e debilita o sistema imunitário. Este último, é um ponto fundamental para reconhecermos o quão importante é reeducarmos a nossa respiração para que ela se torne maioritária e quase exclusivamente nasal. Digo “quase”, porque respirar pelo nariz é a regra, deixaremos a boca para situações excepcionais, pontuais e com objectivos específicos.

Relativamente ao sistema imunitário, respirar pela boca aumenta a inalação de substâncias nocivas suspensas no ar, deixando que impurezas, vírus, bactérias, fungos e outros “lixos” entrem directamente para os pulmões, inibe a pressão dos alvéolos pulmonares para uma perfeita assimilação do oxigénio, permite que o ar frio chegue aos pulmões, secando as foças nasais.


O nariz foi, especialmente, desenhado para filtrar o ar e dar-lhe as condições adequadas para que este chegue aos pulmões, ao respirarmos pela boca ficamos sujeitos a um maior número de potenciais infecções e ainda criamos condições para uma panóplia de distúrbios.

Ao respirar pelo nariz, o ar frio e seco entra pelas narinas onde é aquecido e humidificado. É este ar, na temperatura e condições certas, que vai chegar aos pulmões. Ao chegar aos pulmões o ar torna-se ainda mais quente e mais húmido, exactamente, nas condições adequadas para retornar às narinas, reaquecendo-as e devolvendo-lhes humidade, para que estas estejam prontas para iniciar o próximo ciclo respiratório.


Outro elemento importante quando falamos de imunidade é o óxido nítrico. Hoje sabe-se (e até um Prémio Nobel foi ganho!) que o óxido nítrico tem um papel vital numa multiplicidade de processos fisiológicos e fisiopatológicos. Entre eles, a vaso-regulação, o controlo do fluxo sanguíneo, a normalização da pressão arterial e a mediação do tónus venoso regulando a dilatação e a constrição. Há já quem o aponte como um neurotransmissor para o sistema nervoso central, interferindo na gestão da dor, na memória, na aprendizagem e na regulação do humor. Especificamente no aparelho respiratório, está relacionado com a broncodilatação.

O óxido nítrico fornece uma primeira linha de defesa do corpo contra microorganismos por estimular a actividade ciliar, provê protecção antiviral e antibacteriana.

E contei-lhe isto tudo para quê? Para lhe dizer que este maravilhoso gás se produz numa quantidade considerável nas nossas cavidades nasais. Mas, para que este se produza há que estimular esta região.


Respirar pelo nariz, faz com que respiremos mais devagar e, entre outros, a velocidade da respiração afecta o ritmo cardíaco. Então, permitir que a sua respiração se torne mais lenta não só aquietará o seu batimento cardíaco como as suas ondas cerebrais.


Também referi anteriormente que, respirar pelo nariz, tem benefícios psicológicos, emocionais e energéticos. Então, deixe-me apresentar-lhe mais alguns dados curiosos.

Respirar pela boca é um sinal de SOS para o nosso corpo, fazemo-lo como via alternativa e é lido pelo nosso corpo como situação de perigo de vida, por isso, é bastante provável que ao respirar pela boca, experimente também estados emocionais de medo, stress, ansiedade e exaustão. Ao adoptar “a boca como forma de vida” poderá ter feito com que ensinasse o seu inconsciente a reproduzir, automaticamente, padrões de luta, fuga ou congelamento.

As narinas estão, também, directamente ligadas a funções do nosso sistema nervoso autónomo, uma actua, predominantemente, na activação simpática e a outra no contrabalanço parassimpático. Estabelecer este equilíbrio das funções autónomas do sistema nervoso, permite-nos desenvolver e usufruir de estados de relaxamento, apreciação, leveza, atenção, consciência e regulação emocional positiva.

Ainda falando de estados emocionais, como já vimos, respirar pela boca provoca alterações na coluna, nomeadamente, projectando-a para a frente, provocando o estiramento de uns músculos e o encortamento de outros. A coluna a fazer um arco e a fechar o peito, é a fisiologia preferida do deprimido. Permitir que o corpo se vá “deformando” para continuar a respirar pela boca é aceitar enfrentar a vida com uma postura fechada, derrotista, triste e submissa.


Quanto à dimensão energética da respiração, as nossas narinas estão, cada uma delas, ligadas aos canais de energia que se encontram ao longo da nossa coluna, chamados nadís, que ligam cada um dos chakras principais, por onde flui o prána (energia vital).

Isto é relevante porque a respiração não é apenas o acto de fazer circular oxigénio e dióxido de carbono. É também o circuito da bio-energia. Com isto, a respiração nasal estimula centros neurológicos específicos que potenciam estados de ânimo superiores.


Bom... são tantas as alterações que respirar pela boca provoca, que eu desejo que já esteja a considerar respirar só pelo nariz. Isto significa que o ar entra pelas narinas e sai por onde entrou. Nada de inspirar pelo nariz e expirar pela boca como se fosse um repuxo.

Devolver ao seu nariz a função original, fará com que evite muitos problemas e, sobretudo, melhorará muito a sua qualidade de vida.


~ por Joana Sobreiro


#respiraçao #theinnergameoflife